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Autoconhecimento: três ferramentas para desenvolvê-lo

“De todos os conhecimentos possíveis, o mais sábio e útil é o conhecer a si mesmo” (William Shakespeare)

Acredito que todo mundo sente que se conhece muito bem, mas poucas vezes paramos para pensar, refletir e escrever nossas metas. Não paramos para analisar e ter consciência das características que facilitarão ou dificultarão atingir as metas. Conhecer os objetivos que temos é o primeiro passo a ser dado em direção ao que nos propusemos a fazer. Quando falamos de conseguir atingir nossas metas, propósitos e materializar os nossos desejos pessoais, o autoconhecimento é uma ferramenta essencial. Por isso é importante sempre termos à mão algumas ferramentas que nos ajudam a nos conhecer melhor. Eu já falei sobre isso aqui e hoje trago mais três práticas muito bacanas para ajudar a traçar nossas metas e saber quem somos.

1. Quem sou eu?

Este exercício permitirá que você possa ver quem você é neste momento e quem quer chegar a ser. O mais importante é decidir como vai conseguir chegar a ser a pessoa que deseja ser. Esse exercício te ajuda a traçar estratégias para fazer isso!

Pegue três folhas de papel. Em uma delas coloque quem você é hoje. Em outra, quem deseja ser. Na terceira coloque como vai fazer para conseguir isso.

Quem sou eu?

Quando fiz este exercício, vi que haviam muitas áreas na minha vida com as quais eu estava satisfeita e feliz, e que me preocupava com elas sem necessidade. Também percebi que em alguns quesitos eu não estava nem perto de ser quem eu gostaria, e ai foi o momento de ajustar as velas e tomar novo rumo.

2. A linha da vida

A ideia aqui é criar uma linha horizontal que representa sua vida. Nesta linha, você marcará um ponto médio que representa o agora. Em seguida, comece a incluir as diferentes situações e experiências que teve no passado. Assim, você poderá se tornar consciente daquilo que considera relevante em sua vida e das circunstâncias que te transformaram ao longo dos anos.

A segunda parte é preencher parte de seu futuro, assinalando seus objetivos mais próximos e mais afastados no tempo. Isso ajuda a dar clareza sobre o que queremos e quanto tempo temos para alcançar.

3. Diário de emoções

Sentir conscientemente as emoções como tesouros é imprescindível para uma vida plena, já que o poder delas sobre nós é imenso.. Escutar as nossas emoções pode revelar muitos detalhes sobre nós mesmos, sobre outras pessoas ou situações. Por isso, o diário emocional é uma técnica que facilita o autoconhecimento.

Diário de Emoções

Escreva em um caderno, agenda ou até no bloco de notas do celular, todas as emoções que sente ao longo do dia. No inicio é meio difícil identificar as emoções com um nome. Mas mesmo assim escreva o que está sentindo. Se não sabe dizer, por exemplo, ‘estou com raiva’, apenas escreva que sensação física a emoção trás, ‘estou com dor de estomago’, ‘estou irritado’, coisas assim. Esse exercício ajuda a trazer clareza sobre as emoções e assim podemos transformá-las para que não nos levem para estados mentais e emocionais que não desejamos.

Estar consciente de seu próprio estado emocional, conhecer quais são as emoções que mais se repetem em seu dia a dia, ou a origem delas, poderá fazer com que você tenha um maior autoconhecimento em qualquer fase de sua vida que deseje.

15 Perguntas que você deveria fazer para se conhecer melhor

Dia desses, andando pela internê, vi um artigo com 15 perguntas que você deveria fazer pra se conhecer melhor. Como sempre tive certa atração por tudo que diz respeito a autoconhecimento, resolvi ler as perguntas e achei incrível o quanto elas me ajudaram a ter clareza sobre meu momento de vida atual. Aí decidi trazer as perguntas pra ca! Vai que ajuda alguém, né?

Especialistas aconselham que você tente responder pelo menos uma dessas perguntas por dia, refletindo com calma e sinceridade sobre as respostas. Experimente repetir o questionário ao longo dos anos e veja como a sua visão de mundo vai se alterando com o passar do tempo… Assim, com este exercício, além de ajudar a combater a sensação de ansiedade, você acaba realmente por ter uma pequena ideia de que tipo de pessoa você é!

1. O que é mais importante para mim na vida neste momento?

Faça uma reflexão sobre aquilo que te motiva a acordar todos os dias e encarar as barras pesadas da vida com ânimo.

2. Quais são meus objetivos a curto e médio prazo?

Todos temos metas na vida, sejam elas mais ou menos ambiciosas, mas todos temos! Reflita claramente sobre quais os seus objetivos a médio e curto prazo.

3. O que eu mais gosto de fazer para me divertir?

Qual atividade te desperta prazer, alegria e relaxamento ao mesmo tempo? Liste as coisas que mais gosta de fazer e tente pôr em prática pelo menos uma dessas atividades ao longo do dia.

4. O que me deixa mais envergonhado(a)?

Esclareça quais são os seus pudores e, consequentemente, conseguirá compreender melhor a sua posição moral na sociedade em que vive.

5. O que mais me preocupa na vida neste momento?

Seus piores pesadelos e receios atuais. Liste tudo, sem medo. Colocar os medos e preocupações no papel ajuda a liberar espaço criativo na mente, e espaço criativo pode ser a chave para encontrar a solução para diversos problemas.

6. Se eu tivesse um desejo para realizar, qual seria?

Consiste na sua vontade mais profunda e fantasiosa, aquela loucura que você não conta pra ninguém, mas que morre de vontade de fazer.

7. O que eu faço que me deixa satisfeito comigo mesmo?

Ao contrário do item número 3, este está relacionado com algo que você costuma fazer de modo excepcional e que sempre te dá satisfação quando conclui, mesmo não sendo essencialmente divertido ou relacionado ao entretenimento. Pra mim é a escrita.

8. Qual meu maior fracasso?

Chegou a hora de tocar em feridas… Reflita e esclareça consigo mesmo quais os momentos de sua vida que mais te decepcionaram por erros ou má escolhas que partiram exclusivamente de você. Acredite, isso é libertador. Traz paz de espírito, clareza mental e compaixão consigo mesmo.

9. O que eu mais gosto sobre o meu trabalho? E o que eu mais odeio?

Faça um balanceamento sobre a sua satisfação profissional. As suas habilidades e vocações vão de encontro ao trabalho que desempenha atualmente?

10. Qual a minha memória mais feliz?

Momento nostálgico. Revire o baú de lembranças e resgate as memórias mais felizes que você tiver. Elas estão relacionadas a um lugar ou alguém específico?

11. Qual meu livro favorito? Meu filme, comida, banda, animal, cor…?

Pode parecer muito superficial, mas para ajudar a fazer com que você compreenda melhor os seus gostos, crie uma lista com todas as suas coisas favoritas, como o seu filme, comida, música e etc.

12. Qual o meu feito que tenho mais orgulho?

Algo que você já fez e que se sente muito orgulhoso(a) de ter realizado. Qual a sua “marca” neste mundo? Não se preocupe se, de cara, achar que não tem nenhum. Relaxe e volte a pensar nisso em outro momento, com calma. Tenho certeza que você vai encontrar a resposta rapidinho.

13. Quando estou me sentindo triste eu gosto de fazer o quê?

Todos nós seguimos um “ritual” quando estamos em momentos mais depressivos… Seja escutar uma playlist melancólica, dormir, assistir filmes com final nada feliz… Enfim, existem diversas atitudes que “personificam” o nosso estado de espírito. Quais as suas?

14. Eu sou agradecido pelo quê?

Mais uma pergunta que poderá ser respondida em 2 segundos ou 2 semanas de reflexão… A lista de gratidão te mostra que você tem, sim, coisas boas na vida. Mesmo que tudo pareça virado de ponta de cabeça agora.

15. Quais os meus pontos fortes e meus pontos fracos?

Por fim, liste todas as suas qualidades e defeitos. Faça isso aos poucos e da forma mais sincera possível.

 

O livro que mudou a minha vida

Vi na página da Hypeness no Facebook uma matéria sobre o projeto Histórias Além da Capa e me inspirei a falar do livro que mudou a minha vida: A elegância do ouriço, da francesa Muriel Barbery.

Comprei o livro por acaso. Passando por uma livraria, vi uma pilha de exemplares perto do caixa, com o preço de R$9,99. Perguntei ao vendedor se era bom e ele respondeu que o livro havia ganho vários premios e era um best-seller. Na hora pensei “Dez reais e se passa em Paris. Vou levar.” Confesso que só comecei a ler porque estava obcecada por Paris na época, mas assim que comecei a ler a história de Renee e Paloma, fui cativada. O livro tem capítulos alternados de um mesmo ponto de vista de duas pessoas em situações diferentes: Renée, a zeladora de um prédio de luxo em Paris, 54 anos, viúva, “pobre e feia” como ela mesma diz. E do outro lado temos Paloma, 12 anos e meio, filha de um casal rico que mora no prédio e decidida a se matar em seu aniversário de 13 anos.

O que mais me chamou a atenção é que o livro é filosófico, mas escrito de uma maneira acessível. Os pensamentos de ambas as personagens principais se complementam perfeitamente para ilustrar a vida sem sentido da elite francesa, fazendo uma critica sensível sobre a forma que cada um vê a si e aos outros dentro da estrutura social. Mas calma, o livro é legal! O talento precoce de Paloma nos reserva momentos de boas risadas, tiradas através de sua ironia e sagacidade. Já a alma erudita de Renée nos traz uma reflexão interessante sobre como julgamos as pessoas por seus cargos e aparente posição social e nos surpreende a cada palavra com um olhar único sobre o que é belo.

Adoro a forma como a autora trata da cultura japonesa, como enaltece os pequenos rituais diários que criamos com as pessoas que amamos, e como as personagens buscam na simplicidade a forma máxima da felicidade. O livro mudou a minha vida com esse olhar filosófico e humano da vida comum, do dia a dia de duas pessoas tão diferentes e ao mesmo tempo tão parecidas. Muriel mudou a minha vida por me fazer ver que, apesar de diferenças sociais, todos os seres humanos tem aspirações e desejos de amor, de aceitação, de amizade e de reconhecimento. Depois de ler o livro, mudei meu olhar a cerca do que é realmente belo, das coisas que realmente fazem nossa vida mais bonita todos os dias. Aprendi a olhar para os flores que nascem no jardim e me sentir feliz por poder ve-las, aprendi a apreciar as horas de descanso como um momento de aprendizado e crescimento. E me apaixonei pela cultura japonesa.

Acredito que a maior lição que levo do livro está na frase: “Viver, morrer: são apenas consequências daquilo que se construiu. O que conta é construir bem.”

Mãos à obra. 🙂