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15 Perguntas que você deveria fazer para se conhecer melhor

Dia desses, andando pela internê, vi um artigo com 15 perguntas que você deveria fazer pra se conhecer melhor. Como sempre tive certa atração por tudo que diz respeito a autoconhecimento, resolvi ler as perguntas e achei incrível o quanto elas me ajudaram a ter clareza sobre meu momento de vida atual. Aí decidi trazer as perguntas pra ca! Vai que ajuda alguém, né?

Especialistas aconselham que você tente responder pelo menos uma dessas perguntas por dia, refletindo com calma e sinceridade sobre as respostas. Experimente repetir o questionário ao longo dos anos e veja como a sua visão de mundo vai se alterando com o passar do tempo… Assim, com este exercício, além de ajudar a combater a sensação de ansiedade, você acaba realmente por ter uma pequena ideia de que tipo de pessoa você é!

1. O que é mais importante para mim na vida neste momento?

Faça uma reflexão sobre aquilo que te motiva a acordar todos os dias e encarar as barras pesadas da vida com ânimo.

2. Quais são meus objetivos a curto e médio prazo?

Todos temos metas na vida, sejam elas mais ou menos ambiciosas, mas todos temos! Reflita claramente sobre quais os seus objetivos a médio e curto prazo.

3. O que eu mais gosto de fazer para me divertir?

Qual atividade te desperta prazer, alegria e relaxamento ao mesmo tempo? Liste as coisas que mais gosta de fazer e tente pôr em prática pelo menos uma dessas atividades ao longo do dia.

4. O que me deixa mais envergonhado(a)?

Esclareça quais são os seus pudores e, consequentemente, conseguirá compreender melhor a sua posição moral na sociedade em que vive.

5. O que mais me preocupa na vida neste momento?

Seus piores pesadelos e receios atuais. Liste tudo, sem medo. Colocar os medos e preocupações no papel ajuda a liberar espaço criativo na mente, e espaço criativo pode ser a chave para encontrar a solução para diversos problemas.

6. Se eu tivesse um desejo para realizar, qual seria?

Consiste na sua vontade mais profunda e fantasiosa, aquela loucura que você não conta pra ninguém, mas que morre de vontade de fazer.

7. O que eu faço que me deixa satisfeito comigo mesmo?

Ao contrário do item número 3, este está relacionado com algo que você costuma fazer de modo excepcional e que sempre te dá satisfação quando conclui, mesmo não sendo essencialmente divertido ou relacionado ao entretenimento. Pra mim é a escrita.

8. Qual meu maior fracasso?

Chegou a hora de tocar em feridas… Reflita e esclareça consigo mesmo quais os momentos de sua vida que mais te decepcionaram por erros ou má escolhas que partiram exclusivamente de você. Acredite, isso é libertador. Traz paz de espírito, clareza mental e compaixão consigo mesmo.

9. O que eu mais gosto sobre o meu trabalho? E o que eu mais odeio?

Faça um balanceamento sobre a sua satisfação profissional. As suas habilidades e vocações vão de encontro ao trabalho que desempenha atualmente?

10. Qual a minha memória mais feliz?

Momento nostálgico. Revire o baú de lembranças e resgate as memórias mais felizes que você tiver. Elas estão relacionadas a um lugar ou alguém específico?

11. Qual meu livro favorito? Meu filme, comida, banda, animal, cor…?

Pode parecer muito superficial, mas para ajudar a fazer com que você compreenda melhor os seus gostos, crie uma lista com todas as suas coisas favoritas, como o seu filme, comida, música e etc.

12. Qual o meu feito que tenho mais orgulho?

Algo que você já fez e que se sente muito orgulhoso(a) de ter realizado. Qual a sua “marca” neste mundo? Não se preocupe se, de cara, achar que não tem nenhum. Relaxe e volte a pensar nisso em outro momento, com calma. Tenho certeza que você vai encontrar a resposta rapidinho.

13. Quando estou me sentindo triste eu gosto de fazer o quê?

Todos nós seguimos um “ritual” quando estamos em momentos mais depressivos… Seja escutar uma playlist melancólica, dormir, assistir filmes com final nada feliz… Enfim, existem diversas atitudes que “personificam” o nosso estado de espírito. Quais as suas?

14. Eu sou agradecido pelo quê?

Mais uma pergunta que poderá ser respondida em 2 segundos ou 2 semanas de reflexão… A lista de gratidão te mostra que você tem, sim, coisas boas na vida. Mesmo que tudo pareça virado de ponta de cabeça agora.

15. Quais os meus pontos fortes e meus pontos fracos?

Por fim, liste todas as suas qualidades e defeitos. Faça isso aos poucos e da forma mais sincera possível.

 

O livro que mudou a minha vida

Vi na página da Hypeness no Facebook uma matéria sobre o projeto Histórias Além da Capa e me inspirei a falar do livro que mudou a minha vida: A elegância do ouriço, da francesa Muriel Barbery.

Comprei o livro por acaso. Passando por uma livraria, vi uma pilha de exemplares perto do caixa, com o preço de R$9,99. Perguntei ao vendedor se era bom e ele respondeu que o livro havia ganho vários premios e era um best-seller. Na hora pensei “Dez reais e se passa em Paris. Vou levar.” Confesso que só comecei a ler porque estava obcecada por Paris na época, mas assim que comecei a ler a história de Renee e Paloma, fui cativada. O livro tem capítulos alternados de um mesmo ponto de vista de duas pessoas em situações diferentes: Renée, a zeladora de um prédio de luxo em Paris, 54 anos, viúva, “pobre e feia” como ela mesma diz. E do outro lado temos Paloma, 12 anos e meio, filha de um casal rico que mora no prédio e decidida a se matar em seu aniversário de 13 anos.

O que mais me chamou a atenção é que o livro é filosófico, mas escrito de uma maneira acessível. Os pensamentos de ambas as personagens principais se complementam perfeitamente para ilustrar a vida sem sentido da elite francesa, fazendo uma critica sensível sobre a forma que cada um vê a si e aos outros dentro da estrutura social. Mas calma, o livro é legal! O talento precoce de Paloma nos reserva momentos de boas risadas, tiradas através de sua ironia e sagacidade. Já a alma erudita de Renée nos traz uma reflexão interessante sobre como julgamos as pessoas por seus cargos e aparente posição social e nos surpreende a cada palavra com um olhar único sobre o que é belo.

Adoro a forma como a autora trata da cultura japonesa, como enaltece os pequenos rituais diários que criamos com as pessoas que amamos, e como as personagens buscam na simplicidade a forma máxima da felicidade. O livro mudou a minha vida com esse olhar filosófico e humano da vida comum, do dia a dia de duas pessoas tão diferentes e ao mesmo tempo tão parecidas. Muriel mudou a minha vida por me fazer ver que, apesar de diferenças sociais, todos os seres humanos tem aspirações e desejos de amor, de aceitação, de amizade e de reconhecimento. Depois de ler o livro, mudei meu olhar a cerca do que é realmente belo, das coisas que realmente fazem nossa vida mais bonita todos os dias. Aprendi a olhar para os flores que nascem no jardim e me sentir feliz por poder ve-las, aprendi a apreciar as horas de descanso como um momento de aprendizado e crescimento. E me apaixonei pela cultura japonesa.

Acredito que a maior lição que levo do livro está na frase: “Viver, morrer: são apenas consequências daquilo que se construiu. O que conta é construir bem.”

Mãos à obra. 🙂

Minha história com a escrita

Costumo dizer que eu escrevo desde que me entendo por gente. Aos sete anos de idade avisei minha família que ia escrever um livro e algum tempo depois entreguei um caderno de 48 páginas com um texto que chamei de “Um história incrível”. Era quase uma cópia do roteiro do filme “A história sem fim”, mas com muitos aditivos da minha imaginação infantil. Daquele dia em diante eu soube que jamais poderia deixar de escrever, que a escrita era para mim como respirar. Experimentei muitas plataformas: diários, poemas, cadernetas… Até que o computador me deu a possibilidade de escrever para um publico mais abrangente que meus familiares e professores. Foi quando montei este blog. Tive alguns outros antes, mas o Girafa de Papel foi o único que levei a sério e pretendo manter por muito tempo.

Aqui escrevo textos curtos, pequenos contos ficcionais, onde deixo a mente rolar sem me preocupar com nada. Em 2015 me pus a escrever meu primeiro romance, Pássaro com Olhos de Fogo, e para realizar um bom trabalho nele acabei me afastando dos mini contos. Escrever historias curtas atrapalha o desenrolar de historias longas. Com o Pássaro aprendi muitas lições sobre como é o processo da escrita pra mim. A primeira é que mesmo que todo mundo diga que eu escrevo bem, eu nunca serei tão boa quanto meus autores favoritos. Essa é a lição da humildade. Com ela aprendi que o importante é escrever, todos os dias, sempre mantendo em mente que eu precisarei de muitos e muitos romances escritos para poder ser realmente considerada boa.

Eu escrevi o Pássaro até o final, cheguei a postar quase todos os capítulos aqui, mas depois tirei do ar. Divulguei muito no Facebook, mas um dia percebi que a revisão seria uma reescrita e que o livro sairia tão diferente que o não fazia sentido mantê-lo online. Foi quando descobri o prazer de me dedicar a ele sem o olhar de qualquer leitor. Depois de um grande hiato emocional na escrita – quando fiquei mais de seis meses sem ter nenhum contato com o livro -, me sentei na cozinha de casa e folheei suas páginas impressas em A4. Senti como se visitasse velhos amigos, dos quais eu gostava tanto que eles mereciam uma versão melhor de sua história. Hoje eu trabalho nessa segunda versão, que considero quase como um segundo livro.

Confesso que por muito tempo achei que eu seria uma escritora de livros incompletos. Daqueles que eternamente escrevem a mesma história. Vejo tantos autores no Wattpad, na Amazon, no próprio Facebook, que a cada dois meses lançam um novo romance que por muito tempo pensei em parar de escrever, acreditando que a escrita não servia para mim. Me questionei se eu era perfeccionista demais para aceitar que a primeira versão estava bem escrita, tentei enfiar a forceps na minha cabeça que ‘antes feito que perfeito’, que do jeito que estava já  dava pra enviar pra alguma editora. Foi quando assisti o filme “O mestre dos gênios” que conta a história do grande editor Max Perkins, responsável por autores como F. Scott Fitzgerald, Ernest Hemingway e Thomas Wolfe. Saí do filme em catarse. Percebi que eu não sou uma má escritora só por não ser tão prolífica quanto Stephen King, mas que eu sou apenas uma escritora diferente, que gosta muito mais de lapidar a pedra do que de tirá-la da terra.

O Mestre dos Gênios

O trabalho de um escritor, pra mim, é como o de um ‘ourives garimpeiro’. Nós percebemos que em certo terreno da nossa mente existe uma história para ser contada. Vamos lá, e tiramos a historia a machadadas, garimpando. Depois nos sentamos em frente a uma lente de aumento e polimos, lapidamos um pouco. Nessa etapa a jóia – que é a história pronta – já está bem diferente do que tiramos da terra fértil de nossa imaginação. Alguns escritores conseguem preciosidades dessa primeira lapidação. Outros, como eu, preferem lapidar a pedra a ponto de torná-la quase irreconhecível. Esses últimos tem mais gosto em lapidar, os primeiros talvez tenham em descobrir a história e contá-la.

Foi assim, com essa metáfora, que entendi porque eu gosto tanto do trabalho da minha coaching literária, a Adriana. Com ela aprendi que não tem só lapidação. Tem lapidação, polimento, tem muito aparar de arestas. Depois do livro pronto, ele ainda não está pronto, não precisa apenas ser revisado, precisa ser reescrito. Descobri um prazer novo com a leitura, agora sistematizada. Leio romances como O Grande Gatsby pela segunda ou terceira vez e vejo neles sempre uma coisa nova. Leio Zafon pela décima vez e sempre encontro algo que me faz brilhar os olhos e melhorar minha escrita. E foi na reescrita – após muita leitura – que encontrei meu gênio criativo na sua melhor fase.

Esse gênio é algo tão íntimo que não consigo mais expor meu texto à leitura sem que o considere pronto. Minha relação com as personagens, com a história, com a forma de contá-la tornou-se tão íntima que transformou a escrita na minha terapia. Hoje eu vejo que posso escrever depressa, sem nem gozar da escrita nesse momento, apenas garimpando a história na minha imaginação. Sei que terei a reescrita para tomar um chá com os personagens, conhecer suas facetas e personalidades, saborear cada cenário, interagir com a história e contá-la da maneira mais honesta possivel.

Hoje a escrita é também meu ganha pão. Como redatora e social media eu vivo praticamente de escrever de forma estratégica. A escrita ficcional, e o estudo desse estilo literário, é como descobrir dentro de mim mesma mais uma Marina, como num jogo de bonecas russas, onde uma é igual a outra, mas completamente oposta. É onde eu crio, me deleito e me encontro com pessoas que eu gostaria de ter conhecido: meus personagens.