Oração da Gratidão

Há mais ou menos um mês descobri essa oração na internê e tenho feito ela todos os dias, ao acordar. Exercer a gratidão sincera é uma das mudanças mais transformadoras que podemos fazer na nossa vida. Eu já falei sobre o pote de gratidão aqui, que também é uma boa forma de focar nos motivos pelos quais temos a agradecer. Mas essa oração tem me feito tão bem que decidi compartilhar com vocês!

Oração da Gratidão

Que a verdade se manifeste em mim.
Sou grato pela vida;
Agradeço pelo ar que entra em meus pulmões e que me traz a vida.;
Agradeço pelo sol que me esquenta;
Manifesto uma profunda gratidão pela água que chega até minha casa;
Sou grata por cada dia que me traz uma nova oportunidade de ser feliz;
Expresso a gratidão por cada pessoa que passa em minha vida;
Agradeço por todas as coisas boas que acontecem em meu dia;
Expresso uma profunda gratidão por todas as coisas que tenho;
Agradeço por ter conhecido as pessoas que amo;
Agradeço por ter conhecido as pessoas que tive algum desentendimento, pois elas acabaram sendo professores de minha vida espiritual e emocional.
Agradeço pela noite que me permite descansar e recarregar minhas energias;
Sou grato por minha cama que me proporciona uma boa noite de sono;
Sou grato por todas as coisas simples que tenho e que sem elas minha vida seria muito difícil;
Que a gratidão preencha meu ser;
Que essa energia se manifeste em minha mente e em meu coração.

Sobre ser intenso

Intenso no dicionário significa “que se manifesta ou se faz sentir com força, com vigor, com abundância.” Intenso é tudo aquilo que está presente, completamente, plenamente, no aqui e no agora. Há uns meses atrás eu estava reclamando muito que me sentia sozinha. Muitas coisas pra fazer, mudança de casa, de cidade, de trabalho, de vida. Me sentia cansada e só. Um dia, falando sobre isso com uma amiga ela me disse que eu me sentia sozinha, mas que também nunca procurava ninguém, que me isolava. Pensei um pouco e ela estava completamente certa. Eu realmente estava mais reclusa naquele momento da vida. Automaticamente pensei em reverter isso e procurei ser mais presente nas conversas dos grupos de WhatsApp, comecei a convidar mais gente pra sair, comecei a aceitar mais convites para estar com as pessoas. Mas mesmo assim, com um monte de gente a minha volta, eu me sentia sozinha. Numa tarde de chuva, em casa, li um trecho de um dos meus livros favoritos, A Elegância do Ouriço, onde uma das personagens falava sobre a solidão de ser intenso. E me pus a pensar nisso.

Ser intenso é realmente muito solitário, ainda mais em tempos de smartphone e superficialidade. E ai eu percebi porque me sentia só, mesmo acompanhada. Eu não queria estar com as pessoas em um bar, apenas. Eu queria interagir, de verdade, com profundidade, com intensidade. Sempre tem um momento da conversa, numa roda de amigos, onde todos pegam o celular pra checar mensagens e redes sociais. É o momento da minha solidão. É sempre nesse minuto que me distraio de todos ali, porque percebo que ninguém está, de fato, ali. E quando observo outras rodas de amigos vejo o mesmo comportamento. As pessoas não conversam, quase não se falam. Algumas contam piadas, outras riem, outras ficam no celular, outras falam do tempo, tudo over, tudo fake, mas ninguém – ou quase ninguém – está presente, intensamente, na maior parte das ocasiões. Até quando estão assistindo uma banda, um cantor, as pessoas tão preocupadas em filmar e fazer checkin no lugar, se esquecem de, de fato, estar neste lugar. Não estão nem no presente, nem no futuro. Ficam num buraco no tempo, atrapalhando com suas cameras de smartphones as pessoas que so querem apreciar a musica, o artista, a performance.

Quantas vezes você está com seu filho e fica no celular falando com conhecidos nas redes sociais? Quantas vezes sua namorada precisa chamar sua atenção para sair do WhatsApp? Quantas vezes você está tão preocupado em parecer feliz, em falar da sua vida, em tirar uma selfie que nem percebe que está falando sozinho, pois seu interlocutor já perdeu a conversa faz tempo? Quanto vale uma foto da Monalisa (que você acha em qualquer busca simples no google) se você só viu a monalisa pela lente do celular quando esteve no Louvre?

Por isso eu prefiro compromissos de trabalho. Pode me chamar de workaholic. Quando tem trabalho envolvido, as pessoas tem em mente que tempo é dinheiro e ficam focadas na conversa, no tema ou no problema a ser resolvido. Sempre me divirto mais nessas ocasiões pois não sinto um eco de vozes falando sozinhas, mas sim pessoas interagindo, de fato. Presentes no momento tirando o melhor proveito dele.

Claro que eu tenho amigos ótimos! Claro que nem todas as vezes me sinto sozinha na mesa de bar! Mas hoje eu simplesmente me levanto e vou embora se as pessoas estão mais ‘parecendo’ do que vivendo. Ser intenso em tempos de superficialidade é solitário, mas nenhuma solidão é tão doída quanto estar sozinho acompanhado. E eu me abstenho de quem me tira da minha solidão pra me deixar sozinha. Minha solidão eu preencho com livros, com filmes, com programas de TV, até dormindo. Me recuso a preencher com pessoas só pra ter assunto pra postar no Facebook.

2016 – o ano da superação

O titulo desse post também poderia ser “Obrigada 2016 – o ano da superação”. Pois é. Ano passado foi um ano de muitos desafios, perdas e sofrimentos. Comecei o ano perdendo uma empresa próspera, mudando de casa, conhecendo a solidão que é viver longe dos amigos e familiares sem ter dinheiro para visitá-los com frequência. No meio do ano achei que tivesse chegado ao fundo do poço. A conta bancária cada vez mais magra, várias doenças oportunistas aparecendo, novas amizades tóxicas envenenando a alma. Mas mal sabia eu que o pior ainda estava por vir. Em Outubro resolvi voltar ‘pra casa’, pro interior, perto da minha família. Voltei pra cá com todas as esperanças possíveis no coração, buscando tranquilidade e estabilidade. E foi aí que as coisas pioraram de verdade.

O fim do ano veio como um trator na minha vida. Dois meses após me instalar em uma casa nova, ainda me adaptando à nova realidade, a dona do imóvel pediu que  eu saísse. Eu teria que me mudar novamente, mas agora sem planejamento, sem dinheiro, tempo ou paciência. Encontrei uma nova casa e me mudo no próximo final de semana. Ano novo, casa nova, mesmo que forçosamente. Eu não via a hora de Dezembro acabar e levar com ele todas as dores de 2016. Quando já estava depositando todas as minhas esperanças – novamente – em 2017, ‘perdi’ os dois primeiros dias úteis do ano doente, sem poder trabalhar. 2017 trazia um pouco de 2016 consigo. Foi aí que me lembrei: mar calmo não faz bom marinheiro. É, superação.

Realmente, se tudo nas nossas vidas fossem maravilhas, seríamos mais limitados, infantis e preguiçosos. Aprender a agradecer por tudo que acontece, sem julgar se é bom ou ruim, é o segredo da fé, na minha opinião. Ontem assisti novamente ao documentário “Tony Robbins – eu não sou seu guru” (recomendo muito e tem na Netflix) e uma das maiores lições que levo desse filme é a de que você deve agradecer por ter uma vida difícil. Se você passa por coisas inimaginavelmente dolorosas é porque Deus está te preparando para ser uma luz, um norte, um farol para outras pessoas. De alguma forma, em algum ponto da jornada, você vai encontrar sua missão. Deus não fez perdedores. Por isso tudo que passamos é possível de ser superado. Veja, não estou dizendo que é fácil, estou dizendo que é possível.

Depois do ver o documentário agradeci de todo o meu coração por ter sobrevivido a 2016. Superei todos os obstáculos que me foram colocados e encontrei verdadeiros anjos no meu caminho. Minha amiga querida, fofa, única e maravilhosa Mary que foi ficar comigo mais de dez dias para que eu não me sentisse sozinha. Meu namorado calmo, estável e companheiro Kaue que tem sido meu pilar de sustentação. Os novos amigos empresários que conheci e que me fizeram ver que eu posso ter a minha empresa e ajeitar toda a minha situação financeira por que eu sou competente pra isso. Agradeci por aprender a não julgar os acontecimentos, não colocá-los em caixas separados por ‘bons’ e ‘ruins’, tomando o rumo da minha vida, caminhando em direção aos meus objetivos, olhando para cada circunstância como apenas uma circunstância e não como um fator determinante de quem eu sou ou do que eu sou capaz. Aprendi que eu – e apenas eu – determino quem eu quero ser e o que quero realizar.

2016 me tornou mais que uma boa marinheira, uma capitã do navio da minha vida. Agora sei como agir – ou como não agir – em águas turbulentas e tempestades assustadoras. Sei como ajustar as velas e rever as rotas, olhando sempre para o local de chegada. 2016, especialmente seu final, fez de mim uma pessoa melhor, capaz de amar mais, acreditar mais e fazer mais. Foi um ano de superação.

Para 2017 levo algumas lições preciosas: 1. me livrar de pessoas e ambientes tóxicos, que minam minha força, energia e prazer em viver. Isso parecer fácil de fazer quando pensamos que temos que nos afastar de pessoas ruins, mas é incrivelmente desafiador quando temos que nos afastar de pessoas que amamos, mas que de alguma maneira nos levam a pino. 2. determinar objetivos e não olhar pra trás, dizendo não para tudo que me afaste da conquista. Esta é maneira mais eficaz de se manter focado: aprender a dizer não, depois de ter escolhido para que dizer sim. 3. exercitar a fé através do não julgamento, mantendo-me no presente a maior parte do tempo possível.

Ainda estou engatinhando nesses aprendizados. Ainda não sei bem como vivê-los intensamente. Tenho certeza que terei momentos  de desânimo, de dúvidas, de medos, de ansiedade. Mas também sei que terei as ferramentas necessárias para superar tudo, mesmo que não as conheça ainda.

Que 2017 seja de plantio, pois 2016 foi de trabalhar duro na terra, retirar as ervas daninhas e arar o terreno. Com a colheita não me preocupo tanto, pois ela é, de fato, obrigatória.