Pensamentos negativos não são reais

Infelizmente, muitas pessoas acreditam piamente nas coisas negativas que sua voz interior insiste em lhes dizer. Porém, eu posso dizer com toda a segurança que pensamentos negativos são apenas… pensamentos. Eles não são a realidade de sua vida, de seu presente, de seu futuro. São apenas pensamentos que alimentamos e seguramos com força, pois temos medo de desafiá-los. Questioná-los faz parte de manter a saúde mental.

A maioria de nós já se imaginou comprando aquele carro importado, morando naquela mansão de revista ou até dando autógrafos na rua. Porém, sempre soubemos que esses ‘sonhos’ são apenas pensamentos, não condizem com a realidade que vivemos naquele momento. Podemos dizer que são desejos. Mas com pensamentos negativos insistimos em acreditar que são verdadeiros. Acreditamos que somos feios, que nosso cabelo não está legal, que nosso corpo não é adequado. Acreditamos que não somos bons o suficiente, que ficaremos sozinhos, que seremos discriminados e até odiados. Para esses pensamentos não damos o benefício da dúvida, como fazemos quando nos vemos andando de Jaguar conversível numa estrada idílica com o cachecol esvoaçante. Passamos a vida nos limitando por pensamentos negativos irreais, acreditando neles e pior vivendo com medo deles.

Guarde pensamentos bons, rejeite os pensamentos negativos.

É bem verdade que podemos adoecer, podemos perder o emprego, o dinheiro, a casa. Ninguém sabe o dia de amanhã e circunstâncias desfavoráveis são possíveis. Mas viver a vida paralisado pelo medo de que uma ou duas dessas coisas aconteçam é como ficar em casa deitado na cama sonhando com a mansão de revista, acreditando que ela é a nossa realidade.

Acreditamos que temos que passar anos repensando a infância, o passado, para nos sentirmos melhor. Mas o passo mais efetivo em relação a se sentir melhor é capturar os pensamentos negativos, desafiá-los e transformá-los. Não há como sermos mais felizes, mais confiantes e menos ansiosos acreditando que não somos bons o suficiente. Afastar pensamentos negativos é difícil e requer bastante energia. Mas a boa notícia é que isso só é verdade no começo, depois que aprendemos como fazer é como andar de bicicleta ou dirigir um carro: automático.

Para transformar um pensamento negativo não existe uma fórmula, uma receita de bolo. Não é ciência exata e para cada um existe uma maneira diferente. Eu, particularmente, uso alguns truques. Durante o dia é comum eu pensar que não sou produtiva, que qualquer mensagem de WhatsApp é uma reclamação sobre mim e também que algo ruim vai acontecer a alguém da minha família. Sim, isso acontece com frequência e por muito tempo eu não conseguia nem checar as mensagens do celular se não estivesse com alguém ao meu lado. Um dia percebi que esses pensamentos negativos simplesmente não eram reais e que voltar para a realidade era o primeiro passo para afastá-los. Então comecei a fazer o seguinte exercício: quando um pensamento ruim aparece, por exemplo quando eu acho que no próximo mês não vou conseguir pagar as contas ou comprar comida (gente, eu pensava tanto nisso!), eu paro e reflito “agora, neste exato momento, eu não estou passando fome, tenho uma casa pra morar e se alguma dificuldade realmente aparecer eu tenho pessoas a quem recorrer.” Esse tipo de reflexão me traz de volta para a realidade imediata, para o agora. E eu consigo ver que aquele primeiro pensamento não era a verdade absoluta do meu momento.

É bem verdade que, às vezes, eu também argumentava com a reflexão. Tipo: “eu não tenho com quem contar, o que eu vou fazer?” Nesse caso eu aprofundo ainda mais a reflexão listando, por exemplo, todas as pessoas para as quais eu poderia pedir 30 reais para comprar comida. Aí eu percebo que tenho com quem contar e que sou ryyyyca!

Se a reflexão sobre o agora não resolver, e isso acontece muito quando eu inconscientemente acredito que a mensagem no WhatsApp é uma reclamação, eu volto para o presente de forma mais palpável. Algumas vezes, tiro o sapato e coloco o pé no chão frio, outras respiro fundo e decido se é importante ou não ler a mensagem agora. Geralmente chego a conclusão de que não é, pois quando é urgente a pessoa liga, não manda WhatsApp. Aí, num momento mais calmo, onde eu estou controlando minhas emoções, eu leio a tal mensagem e, pasmem!, em 99% das vezes não é reclamação. Hoje, sabendo dessa estatística, já argumento comigo mesma que os pensamentos negativos não são reais e os expulso.

Quando eu começo a pensar que algo ruim vai acontecer a alguém que eu amo, não saio mais ligando pra todo mundo, perguntando onde está, o que está fazendo e com quem, avaliando uma situação de risco. Eu simplesmente escrevo a preocupação em um papel e coloco no meu oratório, entregando o cuidado com aquela pessoa a Deus. Afinal, eu não posso evitar acidentes, problemas, traumas. Mas Deus pode. Assim, os pensamentos negativos saem da minha mente e eu os entrego a quem pode resolvê-los, de fato. Faço isso também com os pensamentos de escassez, quando acho que não vou ter dinheiro para esta ou aquela conta. Anoto num papel e entrego nas mãos de Deus, aí volto ao trabalho e quando menos espero encontro a solução para aquela fatura de cartão de crédito que me atormenta.

Acredito que a fé é a melhor forma de afastar pensamentos negativos, porém não adianta entregar tudo na mão de Deus e ir dormir. É necessário entregar, confiar, aceitar e AGRADECER. Um coração grato não fica deprimido, não tem medo e não se deixa envenenar por pensamentos negativos. Agradecer é um ato de fé, acima de tudo. É olhar para tudo que se tem e ver que cada passo da caminhada da vida valeu a pena e que uma longa jornada ainda se estende a nossa frente. E ela está cheia de bons frutos a colher. Há algum tempo escrevi um texto sobre o pote de gratidão, hoje em dia uso um caderno, mas a ideia é a mesma e acho que vale a leitura!

Pensamentos negativos NÃO SÃO REAIS. São frutos da nossa mente ansiosa, da nossa dificuldade de nos entregarmos à fé, da nossa necessidade de controle do futuro. Você não é um pop star que dá autógrafos na rua, também não é uma pessoa que merece receber reclamações de si via WhatsApp. 😉

Sobre julgamento de valor

Esse post inaugura uma nova categoria no blog: Bem Estar. Nessa aba pretendo falar sobre atitudes e dicas que eu quero implantar na minha vida para trazer mais bem estar, tranquilidade e qualidade para meu dia a dia. E não me ocorreu melhor tema para começar do que “julgamento”. Essa palavrinha designa uma ação muito nociva para a mente e traz confusões muito perigosas para o coração. Julgamento de valor é quando classificamos as circunstâncias ou pessoas em duas caixas antagônicas: bom versus ruim. Tendemos a fazer isso sem nem nos darmos conta e reagimos a cada situação de acordo com essa classificação.

Ano passado minha palavra de honra foi gratidão. Resolvi colocar essa atitude em prática e aprendi a agradecer por tudo, mesmo que num primeiro momento não pareça ideal. Aprendi que para se manter grato é necessário abrir mão de todo o qualquer julgamento. Se quando algo acontece eu automaticamente classificar como ‘ruim’, ser grato por aquela circunstância torna-se além de mais dificil, mais doloroso. Então tomei a palavra tolerância como minha palavra de honra para 2017. Tolerar é antônimo de julgar. Quem tolera entrega, confia, aceita e agradece.

Tolerar é antônimo de julgar.

Julgamento pressupõe culpa. E culpa é um sentimento paralisante, que não trás nada de positivo para o indivíduo que sente, nem para o que é considerado culpado. Por causa da culpa, julgar é muito perigoso. Quando dizemos que uma pessoa ou situação é ruim, tendemos a não tolera-la, e por vezes agimos de forma agressiva em relação a ela. Quando julgamos que alguém nos fez algo ‘ruim’, agimos de forma impensada, culpando qualquer pessoa que nos pareça possível culpar. O problema é que culpa não gera transformação, não gera relacionamento. Culpa gera mágoa e rancor, e por isso, afasta o perdão. Julgar alguém (ou algo) é como decidir que o outro merece ser envenenado até a morte, mas quem toma o veneno somos nós mesmos.

Por outro lado quando classificamos coisas como ‘boas’ geramos uma expectativa imensa em relação a elas. E expectativas invariavelmente geram decepções. E decepções geram julgamentos, que geram culpa, que não leva a lugar nenhum! É um circulo vicioso terrível, que nos paralisa e nos limita.

Esse ano vou trabalhar para trocar julgamento por tolerância, culpa por responsabilidade, expectativa por perdão. Não quero mais dividir a minha vida entre acontecimentos bons e ruins, pois aprendi que eu sou o que sou por que coisas ‘boas’ E ‘ruins’ aconteceram, me ensinando lições valiosas que moldaram meu caráter e me permitiram chegar até aqui.

Sei que não vai ser fácil eliminar o julgamento dos meus dias. Mas se eu conseguir transformas pelo menos 30% do julgamento de valor em tolerância já estarei muito mais conectada com a gratidão. Pretendo começar a exercitar a tolerância comigo mesma. Parece egoísta, mas de verdade tenho sido meu pior algoz, me culpando por coisas ‘ruins’ e culpando os outros pelas expectativas que eu gero quando considero algo ‘bom’. Acho que a melhor forma de começar a ser mais tolerante é olhar pra minhas limitações de forma mais compassiva, aceitar meus defeitos de maneira mais humana, e parar de me limitar como ‘boa’ ou ‘ruim’. Me aceitar como eu sou, sem me julgar e me punir vai me ajudar a ser mais tolerante com as pessoas e circunstâncias da minha vida, me permitindo ser mais feliz e espalhar a felicidade ao meu redor! É um desafio e tanto, eu sei, mas acho que todos nós damos conta dele. um passo de cada vez.

😉