Oração da Gratidão

Há mais ou menos um mês descobri essa oração na internê e tenho feito ela todos os dias, ao acordar. Exercer a gratidão sincera é uma das mudanças mais transformadoras que podemos fazer na nossa vida. Eu já falei sobre o pote de gratidão aqui, que também é uma boa forma de focar nos motivos pelos quais temos a agradecer. Mas essa oração tem me feito tão bem que decidi compartilhar com vocês!

Oração da Gratidão

Que a verdade se manifeste em mim.
Sou grato pela vida;
Agradeço pelo ar que entra em meus pulmões e que me traz a vida.;
Agradeço pelo sol que me esquenta;
Manifesto uma profunda gratidão pela água que chega até minha casa;
Sou grata por cada dia que me traz uma nova oportunidade de ser feliz;
Expresso a gratidão por cada pessoa que passa em minha vida;
Agradeço por todas as coisas boas que acontecem em meu dia;
Expresso uma profunda gratidão por todas as coisas que tenho;
Agradeço por ter conhecido as pessoas que amo;
Agradeço por ter conhecido as pessoas que tive algum desentendimento, pois elas acabaram sendo professores de minha vida espiritual e emocional.
Agradeço pela noite que me permite descansar e recarregar minhas energias;
Sou grato por minha cama que me proporciona uma boa noite de sono;
Sou grato por todas as coisas simples que tenho e que sem elas minha vida seria muito difícil;
Que a gratidão preencha meu ser;
Que essa energia se manifeste em minha mente e em meu coração.

Sobre julgamento de valor

Esse post inaugura uma nova categoria no blog: Bem Estar. Nessa aba pretendo falar sobre atitudes e dicas que eu quero implantar na minha vida para trazer mais bem estar, tranquilidade e qualidade para meu dia a dia. E não me ocorreu melhor tema para começar do que “julgamento”. Essa palavrinha designa uma ação muito nociva para a mente e traz confusões muito perigosas para o coração. Julgamento de valor é quando classificamos as circunstâncias ou pessoas em duas caixas antagônicas: bom versus ruim. Tendemos a fazer isso sem nem nos darmos conta e reagimos a cada situação de acordo com essa classificação.

Ano passado minha palavra de honra foi gratidão. Resolvi colocar essa atitude em prática e aprendi a agradecer por tudo, mesmo que num primeiro momento não pareça ideal. Aprendi que para se manter grato é necessário abrir mão de todo o qualquer julgamento. Se quando algo acontece eu automaticamente classificar como ‘ruim’, ser grato por aquela circunstância torna-se além de mais dificil, mais doloroso. Então tomei a palavra tolerância como minha palavra de honra para 2017. Tolerar é antônimo de julgar. Quem tolera entrega, confia, aceita e agradece.

Tolerar é antônimo de julgar.

Julgamento pressupõe culpa. E culpa é um sentimento paralisante, que não trás nada de positivo para o indivíduo que sente, nem para o que é considerado culpado. Por causa da culpa, julgar é muito perigoso. Quando dizemos que uma pessoa ou situação é ruim, tendemos a não tolera-la, e por vezes agimos de forma agressiva em relação a ela. Quando julgamos que alguém nos fez algo ‘ruim’, agimos de forma impensada, culpando qualquer pessoa que nos pareça possível culpar. O problema é que culpa não gera transformação, não gera relacionamento. Culpa gera mágoa e rancor, e por isso, afasta o perdão. Julgar alguém (ou algo) é como decidir que o outro merece ser envenenado até a morte, mas quem toma o veneno somos nós mesmos.

Por outro lado quando classificamos coisas como ‘boas’ geramos uma expectativa imensa em relação a elas. E expectativas invariavelmente geram decepções. E decepções geram julgamentos, que geram culpa, que não leva a lugar nenhum! É um circulo vicioso terrível, que nos paralisa e nos limita.

Esse ano vou trabalhar para trocar julgamento por tolerância, culpa por responsabilidade, expectativa por perdão. Não quero mais dividir a minha vida entre acontecimentos bons e ruins, pois aprendi que eu sou o que sou por que coisas ‘boas’ E ‘ruins’ aconteceram, me ensinando lições valiosas que moldaram meu caráter e me permitiram chegar até aqui.

Sei que não vai ser fácil eliminar o julgamento dos meus dias. Mas se eu conseguir transformas pelo menos 30% do julgamento de valor em tolerância já estarei muito mais conectada com a gratidão. Pretendo começar a exercitar a tolerância comigo mesma. Parece egoísta, mas de verdade tenho sido meu pior algoz, me culpando por coisas ‘ruins’ e culpando os outros pelas expectativas que eu gero quando considero algo ‘bom’. Acho que a melhor forma de começar a ser mais tolerante é olhar pra minhas limitações de forma mais compassiva, aceitar meus defeitos de maneira mais humana, e parar de me limitar como ‘boa’ ou ‘ruim’. Me aceitar como eu sou, sem me julgar e me punir vai me ajudar a ser mais tolerante com as pessoas e circunstâncias da minha vida, me permitindo ser mais feliz e espalhar a felicidade ao meu redor! É um desafio e tanto, eu sei, mas acho que todos nós damos conta dele. um passo de cada vez.

😉

A dor de não sentir dor.

No final do ano, acho comum que as pessoas se sintam mais cansadas e menos dispostas a gentilezas… Não deveria ser assim, mas depois de um ano inteiro de trabalho e debaixo desse calor que faz nos trópicos, posso entender que nos sintamos menos providos de paciência. Porém, nada – absolutamente nada – nos dá o direito de sermos grosseiros ou mal educados com quem quer que seja, onde quer que seja, em qualquer circunstância que seja.

No domingo infelizmente, me deixei invadir por essa tristeza e falta de gentileza que tanto vejo no mundo. Estávamos num restaurante e o garçom errou cinco vezes o pedido da bebida. Ok. Isso acontece, todas as pessoas erram. Obviamente ficamos um pouco cansados por ter que repetir mais de cinco vezes que queríamos uma simples coca-cola com gelo e limão. Não, não era um Dry Martini. Em nenhum momento o garçom nos pediu desculpas, em nenhum momento ele sorriu e no final da novela ainda sugeriu que nós não havíamos “pedido direito”. Eu, então, pedi desculpas e passei a torcer para que o prato não viesse errado também, pois àquela altura do campeonato eu comeria qualquer coisa que viesse da cozinha, mesmo que fosse fígado de bode, só pra não ter que discutir. Mas o pedido veio certo e logo após comermos nos levantamos para pagar a conta. No caixa, uma fila imensa – tinha apenas uma caixa pra atender uma mesa com doze pessoas pagando comandas diferentes e logo depois dessa mesa estava uma moça sozinha. Nos posicionamos atrás dela e então, uma amiga dela com uma criança (que estava andando) de uns dois anos parou ao lado dela, querendo furar a fila. E assim, vagarosamente, como quem não quer nada, a moça com a criança entrou na nossa frente, dando desculpa de que ia ficar no lugar da amiga. Aí, meu marido questionou: “você estava na fila?” E, então, se deu uma das cenas das quais eu vou me arrepender pelo resto de todos os meus dias.

A moça começou a esbravejar desaforos para o meu marido, num tom que nem gosto de lembrar, e eu, não sei porque cargas d’água, resolvi tomar as dores. Olhei pra ela e disse: abaixe seu tom, você está sendo muito grossa. Não, eu não fui gentil. Não, eu não fui calma. Mas também não a desrespeitei nem com meu tom de voz. A partir daí ela começou a despejar mais e mais desaforos dirigidos a mim, que não falei mais nenhuma palavra dirigida a ela. No fim, saiu gritando que seu marido era delegado e que eu ia ‘ouvir’. A amiga já tinha se escondido fora do restaurante, tamanho foi o escândalo. Quando paguei a conta, aos prantos, o gerente ouviu todas as minhas reclamações calado, desde o erro no pedido de uma simples coca-cola com gelo e limão até a vergonha que passamos na fila, dentro de um restaurante lotado. Em nenhum momento ele me pediu desculpas, em nenhum momento me ofereceu um lenço, em nenhum momento se mostrou disposto a dar, se quer, uma palavra de apoio, de educação que fosse. Os garçons nos olhavam como algumas pessoas olham para aqueles que julgam ser bandidos, pois, poxa!, a moça estava com uma criança no colo! Mesmo que ela tenha pego a criança (que estava andando) a força (a fazendo berrar), logo depois que foi questionada sobre o lugar dela na fila.

De tudo, o que mais me choca ainda é minha reação. Fui totalmente hipócrita quando disse para a moça que ela estava sendo ‘grossa’. Termino todos os meus textos com “amor, paz e bem”, mas nesse momento não difundi amor, não plantei a paz e não cultivei o bem. A ressaca moral veio instantes depois, quando já mais calma pude perceber o que havia feito. Se tivesse a oportunidade de me desculpar com a moça – que me ameaçou, me lançou palavrões que nem tenho coragem de reproduzir e disse que eu era louca – o faria sem pensar duas vezes. Não por remorso, mas por ter consciência que minha atitude poderia e deveria ter sido diferente, mesmo que ela ainda não tenha se dado conta que a dela também poderia. Pois é… “O silêncio é uma árvore, cujo fruto é a paz.” Acho que aprendi a lição.

O que me choca, em segundo lugar, é a dificuldade que muitas pessoas tem (e não usar o termo ‘de modo geral’, pois não acho que seja o caso) de se desculpar. Será que o garçom não poderia ter nos pedido desculpas como eu fiz ao fim da discussão? Será que o gerente não poderia ter nos pedido desculpas quando me viu aos prantos dentro de seu restaurante? Será que a mulher que efetivamente furou a fila não poderia ter se desculpado e gentilmente pedido que cedêssemos nosso  lugar a ela, que estava com a filha andando, no chão, nessa ocasião? Refletindo sobre isso, com calma, em casa, concluí que para algumas pessoas pedir desculpas e ser gentil é humilhação e demonstração de fraqueza. Acho que o garçom se sentiu mal por ‘não termos feito o pedido direito’ e por isso não nos julgou merecedores de sua desculpa, que a moça não tinha, ainda, a possibilidade de entender o péssimo exemplo que estava dando para a filha e por isso não pode ser gentil quando foi questionada, e que o gerente achou que estaria sendo fraco se se desculpasse na frente de seus funcionários, que nos olhavam com ares de ‘inimigo’.

Acredito que todos nós temos dentro de nossos corações a possibilidade de sermos melhores. Acredito que uma pessoa pode mudar a forma de se relacionar com o mundo, mas que para isso precisa aceitar que não está sempre certa. E é aqui que a maioria se perde na oportunidade de se tornar melhor: não aceita o sofrimento. Admitir que está errado, que escorregou no tomate, pedir desculpas, se arrepender, tudo isso causa sofrimento. E nós, ocidentais, não admitimos sofrimento. Não nos permitimos sentir dor emocional, não nos permitimos enfrentar nossos próprios fantasmas e criticamos com força de julgamento os que o fazem, seja buscando nosso perdão ou até, buscando ajuda profissional, em forma de terapia ou psiquiatria.

De modo geral (e agora acho que o termo e aplica) somos tão resistentes ao sofrimento que causamos mais dor para não enfrentá-lo. Quantas vezes, com dificuldade de admitir um trauma de infância ou a responsabilidade por certas atitudes, nos afastamos de pessoas que gostamos simplesmente por não conseguirmos enfrentar a dor emocional que nos libertaria e que terminaria em forma de desculpas… Eu mesma, já fiz isso inúmeras vezes. Quantas pessoas você conhece que, na tentativa de mascarar os fatos e convencer de que está sempre certa, acaba se enrolando em situações mais constrangedoras ainda… Quantos de nós culpamos os outros por todos os nossos problemas, pois não podemos admitir o sofrimento de sermos responsáveis por nossas próprias escolhas… Quantas vezes poderíamos ter evitado o sofrimento, simplesmente enfrentando o sofrimento?

Neste final de ano eu desejo a você a liberdade de reavaliar seus atos, sua vida inteira, e encarar seus sofrimentos para poder buscar uma vida em que a felicidade seja verdadeira, e não apenas uma máscara de quem quer estar sempre certo.